Você olha fotografias antigas e percebe que seus dentes pareciam maiores? Ou sente que as bordas estão ficando mais retas, achatadas ou irregulares?

Essa mudança pode acontecer lentamente e, muitas vezes, o paciente só percebe quando compara o sorriso atual com fotografias de alguns anos atrás.

Uma das primeiras suspeitas costuma ser o bruxismo. E, de fato, apertar ou ranger os dentes pode estar associado ao desgaste. Mas existe um ponto importante: dentes curtos ou desgastados, sozinhos, não são suficientes para diagnosticar bruxismo.

O primeiro passo é descobrir por que os dentes estão perdendo estrutura.

Por que os dentes podem ficar mais curtos?

Os dentes sofrem pequenas alterações ao longo da vida. Porém, quando a perda de estrutura se torna mais significativa, é importante investigar o que está acontecendo.

O desgaste dentário pode ter diferentes causas e, em alguns pacientes, mais de um fator está presente ao mesmo tempo.

Podem estar envolvidos fatores mecânicos, hábitos parafuncionais, características da mastigação e também processos químicos, como a exposição frequente dos dentes a substâncias ácidas.

Por isso, simplesmente olhar para um dente desgastado e atribuir a causa ao bruxismo pode levar a uma interpretação incompleta do problema.

Bruxismo desgasta os dentes?

O bruxismo pode estar relacionado ao desgaste dentário, especialmente quando existe ranger dos dentes.

Entretanto, a relação não é tão simples quanto parece.

A presença de desgaste mostra aquilo que aconteceu com o dente ao longo do tempo, mas não necessariamente revela, sozinha, o que está acontecendo naquele momento.

É por isso que o diagnóstico do bruxismo não deve ser feito apenas observando dentes desgastados.

É necessário reunir outras informações sobre o paciente.

Quais sinais podem aparecer junto com o desgaste?

Durante uma avaliação, procuramos um conjunto de sinais e não apenas uma característica isolada.

Além de dentes mais curtos ou achatados, podem chamar atenção:

trincas;

desgaste das pontas das cúspides;

alterações na anatomia dos dentes;

restaurações que fraturam repetidamente;

diferenças entre os dois lados da mastigação;

musculatura mastigatória bastante desenvolvida;

sensibilidade ou desconforto muscular;

relato de apertamento ou ranger dos dentes.

Alguns pacientes também apresentam tórus ? saliências ósseas que podem surgir na mandíbula ou na maxila. Eles podem fazer parte dos achados do exame, mas não devem ser interpretados isoladamente como prova de bruxismo.

É o conjunto das informações que ajuda a construir o diagnóstico.

É possível ter bruxismo e não perceber?

Sim.

Existem diferentes manifestações do bruxismo. Ele pode ocorrer durante o sono ou enquanto a pessoa está acordada.

No bruxismo em vigília, por exemplo, algumas pessoas mantêm os dentes em contato ou contraem a musculatura sem perceber durante períodos de concentração, tensão ou determinadas atividades.

Já durante o sono, naturalmente é mais difícil que o próprio paciente saiba o que acontece.

Por isso, a avaliação envolve conversa, histórico, exame clínico e, quando necessário, métodos complementares de investigação.

O rosto também faz parte dessa avaliação

Quando avalio um paciente com desgaste significativo, não observo somente os dentes.

Fotografias e vídeos ajudam a analisar o sorriso em movimento, a musculatura e a relação dos dentes com a face.

Também observo se existe alguma diferença importante entre os lados, se o paciente parece utilizar predominantemente um lado para mastigar e como a mandíbula se movimenta.

Isso é importante porque reabilitar um sorriso não significa simplesmente devolver alguns milímetros aos dentes.

É preciso compreender como todo o sistema está funcionando.

Se os dentes ficaram curtos, basta aumentá-los novamente?

Nem sempre.

Essa é uma das questões mais importantes no tratamento de dentes desgastados.

Imagine reconstruir dentes sem entender o motivo pelo qual eles perderam estrutura. Dependendo da situação, o mesmo sistema que contribuiu para o desgaste poderá continuar atuando sobre as novas restaurações.

Por isso, antes de escolher resina, cerâmica, facetas ou coroas, precisamos avaliar a causa provável do desgaste e as condições funcionais do paciente.

Quando é necessário recuperar a dimensão vertical?

Em pacientes com desgaste mais significativo, também avaliamos a dimensão vertical de oclusão.

De forma simplificada, ela está relacionada à relação entre maxila e mandíbula quando os dentes estão em contato.

Nem todo paciente com dentes curtos perdeu dimensão vertical e nem todo caso precisa aumentá-la.

Quando uma mudança é indicada, ela deve ser planejada considerando a quantidade de estrutura perdida, o espaço disponível para reconstrução, a mordida, a função e as características faciais.

Por que as guias dos dentes também são avaliadas?

Os dentes participam da orientação dos movimentos mandibulares.

Caninos e dentes anteriores podem desempenhar papéis importantes nesses movimentos e na forma como os contatos entre os dentes acontecem.

Quando há desgaste importante, essas relações podem estar modificadas.

Em determinados casos, portanto, a reabilitação precisa considerar também o restabelecimento dessas relações funcionais.

O objetivo não é apenas fazer dentes bonitos quando o paciente sorri. Eles precisam funcionar adequadamente quando o paciente fala, mastiga e movimenta a mandíbula.

Dentes curtos podem voltar a ter um tamanho adequado?

Em muitos casos, é possível reconstruir a estrutura perdida.

O tratamento pode envolver resinas compostas, restaurações cerâmicas, facetas, coroas ou uma combinação de técnicas, dependendo da situação clínica.

Há diferentes possibilidades restauradoras para dentes desgastados, e a escolha depende da quantidade de estrutura remanescente, extensão do caso, necessidades funcionais e planejamento individual.

Mais importante do que escolher previamente o material é definir o que precisa ser reconstruído e por quê.

E depois da reabilitação?

Quando existe diagnóstico de bruxismo, o planejamento não termina necessariamente quando as restaurações ficam prontas.

Dependendo do caso, podem ser indicadas estratégias para proteção e acompanhamento do tratamento.

Isso é especialmente importante porque reconstruir dentes desgastados sem acompanhar os fatores associados pode comprometer a longevidade do resultado.

Quando procurar uma avaliação?

Se você percebeu que seus dentes estão ficando progressivamente menores, achatados, trincados ou diferentes daqueles que aparecem em fotografias antigas, vale investigar.

Quanto mais cedo entendemos o padrão de desgaste, mais informações temos para decidir se é necessário apenas acompanhar, controlar fatores associados ou reconstruir aquilo que já foi perdido.

Na Clínica Solare, em Itajaí, a avaliação de pacientes com desgaste dentário é realizada considerando exame clínico, fotografias, vídeos, características da mordida, musculatura, movimentos mandibulares e, quando indicado, exames complementares.

O mais importante é descobrir a causa antes de reconstruir

Dentes ficando curtos podem estar relacionados ao bruxismo, mas essa não é a única possibilidade.

O desgaste dentário é um problema que precisa ser analisado de maneira individualizada.

Por isso, antes de perguntar "com qual material vamos aumentar esses dentes?", existe uma pergunta mais importante:

"Por que esses dentes ficaram assim?"

É a partir dessa resposta que podemos planejar como recuperar estética e função e, ao mesmo tempo, pensar na proteção do resultado ao longo do tempo.

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