Não gosto dos meus dentes: vou passar a vida inteira sem gostar do meu sorriso?
Talvez você sorria normalmente.
Converse, trabalhe, encontre pessoas, tire fotografias.
Mas existe aquele momento em que você se vê em uma foto ou no espelho e pensa:
"Eu não gosto dos meus dentes."
Talvez seja a cor. O formato. O tamanho. Alguns dentes podem parecer pequenos, outros desgastados. Pode existir um espaço que sempre chamou sua atenção ou uma assimetria que só você parece perceber.
Ou talvez seja mais difícil explicar.
Você simplesmente olha para o seu sorriso e sente que ele não representa você como gostaria.
Quando essa sensação acompanha uma pessoa durante anos, uma pergunta pode surgir:
"Será que vou passar a vida inteira sorrindo sem gostar do meu sorriso?"
Não necessariamente.
Hoje existem diferentes possibilidades para modificar um sorriso. Mas, para mim, o planejamento não começa escolhendo lentes de contato dental, facetas, resina ou qualquer outro procedimento.
Ele começa com uma conversa.
"O que você gosta e o que você não gosta no seu sorriso?"
Essa é uma pergunta que faço com frequência aos meus pacientes durante o planejamento estético.
E ela é muito mais importante do que parece.
Quando alguém chega dizendo "não gosto dos meus dentes", precisamos descobrir o que essa frase realmente significa.
Eu quero saber o que incomoda.
Mas quero saber também o que aquela pessoa gosta e deseja preservar.
Um paciente pode gostar da cor dos próprios dentes, mas não do formato.
Outro pode gostar do formato, mas sentir que os dentes são pequenos.
Alguém pode desejar corrigir apenas uma assimetria.
Outra pessoa pode gostar de pequenas características do próprio sorriso e ter medo de perdê-las durante um tratamento.
Essas respostas começam a mostrar o caminho.
Porque construir um novo sorriso não deveria significar apagar tudo aquilo que existia antes.
A identidade do novo sorriso começa no próprio paciente
Existe uma tendência de associar tratamento estético a um determinado padrão: dentes muito claros, perfeitamente alinhados e extremamente semelhantes entre si.
Mas esse não precisa ? e, na minha visão, não deve ? ser o objetivo de todo tratamento.
Pessoas são diferentes.
Rostos são diferentes.
Sorrisos também deveriam ser.
Fotografias e vídeos nos ajudam a observar o paciente falando, sorrindo e movimentando os lábios.
Analisamos a exposição dos dentes, proporções, face, gengiva e características individuais.
A partir daí, começamos a buscar aquilo que considero a identidade do novo sorriso.
Não quero simplesmente descobrir qual formato de dente está bonito em outra pessoa.
Quero descobrir qual sorriso pertence àquela pessoa que está diante de mim.
Mas estética, sozinha, não é suficiente
Existe outro ponto que levo muito em consideração durante esse planejamento:
a funcionalidade.
Os dentes não existem apenas para aparecer quando sorrimos.
Eles precisam participar da mastigação, da fala e dos movimentos mandibulares. Precisam se relacionar com os dentes do arco oposto e funcionar dentro de um sistema.
Por isso, eu não gosto da ideia de simplesmente desenhar dentes bonitos e depois tentar fazer com que eles funcionem.
Precisamos observar também a mordida, os movimentos da mandíbula, os contatos entre os dentes, o comprimento e a posição que eles precisam ter.
E existe algo muito interessante nesse processo.
Quando buscamos a função, o sorriso começa a surgir
Quando começamos a organizar a funcionalidade, muitas decisões sobre o sorriso começam a aparecer diante de nós.
A função pode ajudar a determinar comprimento, posição e relações entre os dentes.
Depois entram os detalhes que refinam aquele sorriso: anatomia, textura, cor, luminosidade e todas as características que contribuem para sua naturalidade.
É por isso que eu não enxergo função e estética como dois planejamentos separados.
O novo sorriso nasce do encontro entre aquilo que o paciente deseja, aquilo que devemos preservar e aquilo que precisa funcionar.
Só depois disso começamos a discutir como executar esse planejamento.
Então, quando entram as lentes de contato dental?
Depois do diagnóstico.
Esse ponto é importante porque muitas pessoas chegam ao consultório já dizendo:
"Eu quero colocar lentes."
E pode ser que lentes ou facetas cerâmicas realmente sejam uma excelente possibilidade para aquele caso.
Mas também pode ser que não sejam necessárias.
Dependendo daquilo que está causando a insatisfação, podemos considerar clareamento, ortodontia, resina composta, procedimentos gengivais, restaurações cerâmicas ou uma combinação de diferentes tratamentos.
As lentes são uma ferramenta.
Elas não deveriam ser o diagnóstico.
O que as lentes podem modificar?
Quando corretamente indicadas, lentes e facetas cerâmicas podem permitir modificações em características como forma, proporção, comprimento e determinadas alterações de cor dos dentes.
Porém, antes de indicá-las, precisamos avaliar a estrutura dental existente, posição dos dentes, gengiva, mordida, hábitos e extensão das mudanças pretendidas.
Isso é especialmente importante quando estamos tratando dentes saudáveis.
Se existe estrutura dental saudável, preservá-la deve fazer parte das nossas decisões.
Lente de contato dental precisa desgastar o dente?
Essa é uma das perguntas que mais preocupam pacientes interessados nesse tipo de tratamento.
E não existe uma resposta igual para todos.
Há situações nas quais o planejamento permite uma abordagem bastante conservadora. Em outras, algum preparo pode ser necessário para que a restauração tenha espaço, posição, forma e espessura adequados.
Por isso, dizer que "lente não desgasta dente" de maneira generalizada não seria correto.
A filosofia deve ser outra:
preservar o máximo possível de estrutura saudável e realizar apenas a intervenção necessária para aquele planejamento.
"Tenho medo de colocar lentes e meus dentes ficarem artificiais"
Esse medo aparece muito no consultório.
E é compreensível.
Provavelmente você já viu um sorriso e percebeu imediatamente que os dentes foram feitos.
Mas naturalidade não depende apenas de escolher uma cor menos branca.
Ela envolve anatomia, textura, translucidez, proporção, comprimento, gengiva, lábios e relação com a face.
Além disso, dentes naturais não são simplesmente cópias uns dos outros.
Existem detalhes e pequenas diferenças que fazem parte da percepção de naturalidade.
É justamente por isso que um mesmo desenho de sorriso não deveria ser reproduzido indiscriminadamente em pessoas diferentes.
Um sorriso bonito precisa ser perfeito?
Não.
Existe uma diferença importante entre harmonia e padronização.
Um sorriso pode ser muito bonito sem que todos os dentes sejam absolutamente idênticos ou tenham uma aparência artificialmente perfeita.
Em alguns casos, preservar determinadas características individuais é justamente aquilo que fará o resultado parecer natural.
O planejamento estético não deveria retirar a personalidade do sorriso.
Deveria aperfeiçoar aquilo que incomoda sem eliminar desnecessariamente aquilo que já funciona e pertence àquela pessoa.
É possível experimentar o novo sorriso antes de fazer as lentes?
Em determinados casos, podemos utilizar o mock-up, que funciona como um ensaio do planejamento.
A partir do estudo do caso, desenvolvemos uma proposta e podemos transferir temporariamente determinadas alterações para a boca do paciente.
Isso permite algo muito interessante.
A pessoa não vê apenas uma fotografia ou uma imagem na tela.
Ela consegue se olhar no espelho, sorrir, falar e movimentar os lábios com aquela proposta.
E então podemos voltar à pergunta que iniciou todo o planejamento:
"O que você gosta e o que você não gosta agora?"
O planejamento pode ser refinado antes de determinadas etapas definitivas.
Por que fotografias, vídeos e escaneamento são importantes?
Porque uma fotografia estática do sorriso não conta toda a história.
O sorriso se movimenta.
Os lábios se movimentam.
Os dentes aparecem de maneiras diferentes quando uma pessoa fala, sorri espontaneamente ou simplesmente está em repouso.
Por isso, fotografias, vídeos, exame clínico e escaneamento digital podem fornecer informações complementares durante o planejamento.
Esses registros nos ajudam a estudar proporções e relações que seriam mais difíceis de avaliar olhando apenas para os dentes isoladamente.
Resina ou porcelana: qual fica mais natural?
As duas podem produzir resultados muito naturais quando corretamente indicadas e bem executadas.
Não gosto de reduzir essa decisão a uma disputa entre "qual material é melhor".
Resina e cerâmica apresentam características diferentes, vantagens, limitações e necessidades de manutenção.
Quantidade de dentes envolvidos, estrutura dental disponível, alteração pretendida, mordida, hábitos e expectativas do paciente precisam entrar nessa decisão.
O melhor material é aquele que faz sentido para aquele caso e para aquele planejamento.
E quem participa da construção desse novo sorriso?
Em tratamentos que envolvem restaurações cerâmicas, existe também o trabalho laboratorial.
Na Clínica Solare, em Itajaí, o laboratório é integrado à clínica, o que permite uma comunicação próxima entre o planejamento clínico e a execução das restaurações.
Forma, anatomia, textura, proporção e características ópticas são detalhes que podem ser discutidos ao longo do processo.
A tecnologia auxilia muito.
Mas existe uma parte desse trabalho que continua dependendo de olhar, conhecimento, comunicação e individualização.
Não quero mudar completamente. Quero continuar parecendo eu.
E talvez essa seja uma das melhores coisas que um paciente pode dizer durante um planejamento.
Porque um tratamento estético não precisa transformar você em outra pessoa.
Você pode querer dentes mais proporcionais.
Pode querer melhorar a cor.
Pode desejar fechar espaços ou recuperar bordas desgastadas.
Pode querer sorrir em uma fotografia sem procurar imediatamente aquilo que sempre incomodou.
Nada disso exige necessariamente abandonar as características que fazem aquele sorriso ser seu.
Por isso, a pergunta "o que você gosta?" é tão importante quanto "o que você não gosta?".
Precisamos saber o que mudar.
E precisamos saber o que não devemos mudar.
Não gosto dos meus dentes. Por onde começar?
Você não precisa chegar à primeira consulta sabendo se quer lentes, facetas, resina, ortodontia ou qualquer outro procedimento.
Pode chegar simplesmente dizendo:
"Eu não gosto do meu sorriso."
A partir daí, começamos a descobrir o motivo.
Na Clínica Solare, em Itajaí, o planejamento estético considera a conversa com o paciente, exame clínico, fotografias, vídeos, escaneamento digital e avaliação funcional.
A proposta é compreender o que incomoda, o que deve ser preservado e quais possibilidades existem para alcançar o resultado desejado de maneira individualizada.
Vou passar a vida inteira sem gostar do meu sorriso?
Talvez você tenha pensado durante anos que precisava simplesmente aceitar os seus dentes como são.
Hoje existem possibilidades para modificar muitas das características que podem causar insatisfação.
Mas também não é preciso partir do outro extremo e decidir que todos os seus dentes precisam ser transformados.
Existe um caminho entre aceitar tudo e mudar tudo.
Ele começa descobrindo o que realmente incomoda.
Depois, entendemos o que merece ser preservado, o que precisa funcionar e qual identidade queremos encontrar naquele novo sorriso.
Só então decidimos quais ferramentas serão necessárias para chegar até ele.
Porque, antes de escolher lentes, eu prefiro descobrir qual sorriso pertence a você.

